quinta-feira, 21 de junho de 2012

Surpresa

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Lá estava ela, travando uma batalha intensa contra o vento pelo seu guarda-chuva. Dissera a si mesma que se não tivesse um apreço sentimental pela velharia já teria abrido mão. Mas tinha que ser por algo assim, velho e quebrado, a quem despejaria seu afeto, objeto antes de sua avó. Certeza tinha de que a avó não o teria usado, e se assim o tivesse feito, na certa não teria sido em um dia com ventos tão fortes como esse, talvez o tivesse usado em um dia enssolarado, apenas para não se queimar, como um assessório, e não como uma necessidade. Não teria ficado doente se não o tivesse usado, poderia trocar por um chapéu ou usado um protetor solar (será que na época a avó teria um protetor solar?), ou até mesmo poderia andar pela sombra das árvores, mas a garota não, se tivesse deixado o guarda-chuva em casa estaria de cama em questão de dias. Não que isso não pudesse acontecer, afinal de contas a chuva toda estava entre seus sapatos e a barra do vestido que batia contra o joelho. Que dia para colocar um vestido, que dia! Deveria ter colocado o jeans habitual de sempre, mas não, decidira de manhã que usaria o vestido que havia achado dentro do guarda-roupa, mas também, quem imaginaria que um dia que nascera tão bonito poderia surpreender com uma chuva daquelas? Em dias chuvosos como esses, as pessoas costumam ficar mais selvagens, com ódio de tudo, e soltando as palavras mais feias possíveis. Feias não, mal vistas é melhor, não existem palavras feias, todas de certa forma tem sua própria beleza e origem, até mesmo uma palavra mal vista. Pois bem, ela era uma dessas pessoas, que estava em casa com ódio por estar chovendo e não poder sair, e que quando resolveu sair, estava com ódio por ter tomado chuva e cheia de arrependimento por ter tomado coragem de colocar os pés na rua. O vento parecia ter desistido, já não testava a força da garota, e tinha levado as ultimas gotas de chuva até então, mas o céu ainda estava escuro e o guarda-chuva molhado, não podia guardar na bolsa, tinha que carregar na mão. E foi assim, com o cabelo bagunçado, os sapatos molhados e carregando um guarda-chuva que ela olhou pra frente e viu, absorta, aquela imagem, aquele acontecimento, aquele momento tão surpreendente. Era óbvio que isso aconteceria, é um história sobre um dia chuvoso, que outro fim teria? Mas ela não teria ao menos parado para pensar, ou no caso, lembrar, que aquilo pudesse acontecer, ainda mais daquele jeito, com ela tão desajeitada. Ela olhou, vibrou por dentro e por alguns segundos aquele ódio do dia chuvoso passou, e seu coração se encheu de alegria, respirou fundo e olhou mais uma vez antes que ele sumisse sem dizer nada. E ele estava ali, todo intacto e vibrante, estava aonde deveria estar, um enorme arco-íris. 







Um comentário:

  1. Porque a maioria das pessoas não gosta de chuva? =( Chuva deveria ser uma sete maravilhas do mundo! hahah Bom, na minha lista de maravilhas com certeza entra. E claro, depois de tudo, ela ainda nos dá um arco-iris. Coisa linda, viu! *-*

    Adoro,
    muito,
    completamente,
    o quê você escreve, amiga! <3
    Ainda iremos escrever algo juntas, um dia, é uma vontade! =x

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Escrevo pra não falar sozinho. - Cazuza https://twitter.com/_alemdosofa
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